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Espero você em meu novo blog:
http://larissamarquespoeta.blogspot.com/
Escrito por Larissa Marques às 09h11
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Era uma safada
Mas era uma flor
Maria-sem-vergonha
Dessas que nascem
Em beirais, sem ser cultivada,
Que se alastra onde houver espaço
E deita-se nos canteiros,
Entre todos os devaneios, se alastra.
Colorida, como as flores,
Cores berrantes
Num batom vermelho carne
Deixando marcas de seus beijos
Seu perfume pairar no ar
Deixava-se alastrar
Permitia-se deitar
Com quem pudesse bancar
E não se importava
Maria-sem-vergonha
Com os fuxicos
Pois era uma Sá dona
Uma senhora, sá dona,
Dessas que cruzam a esquina
E os homens se cutucam
E as mulheres se afastam
E as beatas no seu diz-que-diz-que
Era uma Sá dona
Uma senhorita
Maria-sem-vergonha
Olha, lá vem a panapana.
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Escrito por Larissa Marques às 09h30
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Ah, esse outono,
Que toma a minha’lma
Cansada de sol
Caem, finalmente, as folhas,
Tudo fica opaco.
E os caminhos do céu
Abrem-se,
Aguardando o inverno.
Teria me amado
Ou foi apenas nuvem.
Ah, esse outono,
Tomou minha’lma
Cansada da calma
Do teu olhar...
Tudo ficou opaco.
As nuvens se foram,
Como se fossem
Tudo de mim
E o céu ficou,
Aguardo o inverno chegar.
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Escrito por Larissa Marques às 18h05
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Ah, aquele tempo que não volta mais
E essa saudade iludida
Que teima em angustiar-me
Que volta do mar do esquecimento
Em ondas espumantes no mar
Em brumas flutuantes no ar
Ah, essas lembranças que não me largam
E alagam meu peito
Com o saudosismo de outrora
Que vingam agora no descontentamento.
Ah, aquela carcaça náufraga no oceano
É preciso ir fundo para encontrar-me
Fragmentos do que um dia fui
Cacos de um ido e submerso
Passado feliz
Pedaços de um eu que não sou mais
Ah, esse tormento que me persegue
E que logo me esqueço
Pois a saudade e a dor vêm e vão
E vagam agora no meu esquecimento.
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Escrito por Larissa Marques às 18h02
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Mar III
Com os pés cheios de areia
Sentimentos pulsam plenamente
Visão liberta,
O mar e sua hospitalidade,
Suas vozes, seus deuses,
Seus estranhos mortos.
Além do horizonte,
Ele murmura,
Todos eles murmuram...
São vozes diferentes
Sob o nevoeiro denso e silencioso.
E o coração encouraçado iça a vela
Transforma-se em caravela
E penetra nas ondas,
Em suas idas e vindas.
E nesse azul marinho
Bailando em minhas retinas
O mar murmurava,
Na sua maneira doce
De se jogar entre as pedras,
No seu azul imenso e profundo,
É rasgado pelas esquadras,
Pela caravela
Que é tumbeiro,
Carregando lembranças
Que contam do tempo
Aborrecidas, e até esquecidas,
Mas o turbilhão é violento,
Sem piedade,
Lança a embarcação contra os recifes
E estes estilhaçam o casco,
E o coração fica à deriva
E passarão séculos para reencontra-la.
Jaz agora extirpada,
Ao relento, há pouco abandonada.
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Escrito por Larissa Marques às 18h00
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Esquecida, sob o poder do ópio,
Ou enfeitiçada por mandingas
De alguma mal parida
Finei com todos os pudores
Aos pés do santo altar comercial
Quanta hipocrisia,
Não há nenhuma poesia
Que não seja luxúria.
Braços em corpos,
Mãos e bocas nos seios
Outras nos meus pés
Línguas me tocando
Dentes me mordendo,
Sexos me invadindo,
Ombros despidos, mordidos,
Tomados pela devassidão
Não há amor, há paixão.
Existir, somar, subtrair, multiplicar,
Inserir, acoplar, curva-se, desejar.
Errante, liberta, sou partícula,
Ora sólida, ora líquida,
E naquela aura densa, vaporosa,
Dilatava-me onírica.
Acreditava em tudo,
Enquanto abraçava o vazio.
Dedos, mãos, bocas, línguas,
Palavras tão minhas, dentro de mim.
Não há poesia que não seja luxúria.
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Escrito por Larissa Marques às 11h50
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Faça uma prece
Para pedir o que quer
Para ter o que precisa
Para proteger seu filho.
Mas pergunte para um homem velho
Por que não consegue dormir a noite
Tenha coragem de sair de linha
Jogue-se na vida,
Ou deixe seu coração na “Terra do Nunca”
Onde não vai crescer
Onde não vai sofrer
E não se olhe no espelho
Para o tempo não te alcançar.
Mas se olhar não fite seus olhos
Que poderá ver tudo que odeia.
Odeie-me, odeie-me.
Sou a sua realidade.
Faça uma prece
Para um suposto “Deus”
Afastar te desse cálice,
Mas se não te afastar
Olhe-se no espelho
E verá que eu sou você
Sou sofrimento, sou a dor,
Sou a guerra, sou o ódio,
Sou você.
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Escrito por Larissa Marques às 11h47
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Caia a noite!
Caia sobre as colchas de quem dorme
Permeie os sonhos com o albor onírico,
Com prazer eterno
Num sonho efêmero,
O gozo veneno
Num corpo moreno
Ao som dos cantos sacros
Oh, negro véu que arrebata
As últimas gotas de sol
No horizonte,
Caia sobre os ombros de quem ainda
Está de pé,
Caia sobre os seios da mais
Linda mulher,
E faça com que seu êxtase
Seja infinito,
Como o imenso Universo sombrio
Que envolve a vida e a morte
Num laço ínfimo e eterno
Noite da vida,
Na vida de morte.
Manhã que tarda,
Manhã que não vem,
Noite caída nas coxas medidas
Nos sonhos obscenos
Segura nos ombros serenos
Descansa, em seios incandescentes.
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Escrito por Larissa Marques às 23h04
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Devoção
Teus cabelos sobre a vida
Aumentam minha angústia
Remoendo a loucura de querer tudo
ao mesmo tempo...
E esta sensação encanta-me e assusta-me
Tal qual borboleta que busca incessantemente
o calor do sol
Como que um impulso a autodestruição
As mãos frias e cálidas cantam mudanças
recebendo seu manso toque
Só podia sonhar, mas eis poeta que sou, sonho...
Sonho em encontrar palavras certas em horas sinceras
Rimar uma borboleta azul e um pensamento em ti
Inferno e céu,
Sol e lua,
Inverno e verão,
Eterno e efêmero,
Loucura e razão,
E embebido de meus devaneios percebo a inconstância universal
Belas criaturas e fantásticos sonhos iluminam-me
Magníficas pousam e repousam em meus olhos,
Duas imagens puras e frágeis
Fixam-se em minha visão turva
Um inseto voador e o ser que devoto minha paixão
Ai universo que muda tanto
E definhou e rebrotou em seu próprio encanto
Mas ainda resguarda forças
Para fazer de uma vida o verso
E do verso uma vida
E de uma vida, memória.
Ao presente amor dedico
Linhas que são tuas, inspira-me.
Tuas, não numa eterna provação,
E sim numa forma demodê de poder demonstrar
A devoção que deveras sinto
Adoro-te, Dorote,
Do fundo de minha’lma peregrina.
Escrito por Larissa Marques às 23h01
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Disseram-me sempre
Dorme com os anjos minha filha
Por saberem que os anjos são eunucos
Pobres, esqueceram-se,
Que ainda lhe sobram as mãos,
A boca e seus pensamentos...
Venham meus anjos tortos
Que nessa noite de lua
Não dormirei só.
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Escrito por Larissa Marques às 22h55
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O beijo
O turbilhão de tua língua
Toma meu sexo intenso
E meus olhos se fecham
É dia na noite escura
E meu corpo queima como fogo
Gemidos abafados
Gozo
Harmonia.
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Escrito por Larissa Marques às 17h44
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Abraço o silêncio com desespero
Como que para que não escape, e peço,
Seja meu amante, apenas essa noite,
Tome-me em teu seio
Pouse sobre meu corpo vazio
Derrame-se em mim como cálice de vinho
Embriague-me nessa tempestade furiosa de desejos
Sufoque-me com seu júbilo
Tire-me as forças, as palavras,
Conduza-me ao esquecimento visceral
Espere que a humanidade cale-se
E possua-me novamente
Com carinho e fúria me faça tua
Percorra meu ser, compreenda-me,
Satisfaça meus anseios.
Neste momento sacro não quero ser poeta,
Nem tua musa, quero poder ser apenas eu,
Despida de pudores, de falsos amores,
De penas vãs, de gozos esquecidos.
Quero que me inunde de ti até meu âmago,
Como se fosse humano
E toma minha alma como entidade eterna
E quando vier o grito da aurora
Vá devagar, deixe meu delírio te levar.
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Escrito por Larissa Marques às 16h12
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Fragmento urbano
Fragmento humano
No meio do concreto urbano
Nas estradas negras
Tumultuadas e cheias
O homem caminha só
Entre a fumaça e o excremento
Num céu púrpuro, quase cinzento.
Fragmento urbano
Injetado nas veias entupidas
Pela violência estúpida
Provocam a estagnação do movimento
Meninas violadas
Tarjas pretas de luto
O tédio e a solidão são absolutos.
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Escrito por Larissa Marques às 13h25
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A paz incansável do deserto
Nada nem ninguém por perto
Tudo soa mistério,
Tudo morto, cemitério.
Areia quente,
Mármore frio,
Corpo inerente,
Certo, vazio...
Vento que leva a poeira,
Vento que traz a areia,
Chuva que faz o cúmulo,
Chuva que molha o túmulo.
Passos que a brisa apaga,
Pés que a brisa não afaga,
Face clara que não se mostra, mão doce que no peito se prosta.
No íntimo da terra,
Um beijo onde
Encerra-se um amor
Onde nasce uma grande dor.
Na esperança perdida,
No amor passado,
Pela repentina partida,
Pela dor sempre marcado.
Descansa assim, um corpo vão,
Sem alma válida
Sem pulso, sem coração,
Mas ainda ama-se a imagem cálida.
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Escrito por Larissa Marques às 13h21
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Estou distante de tudo
Fito o teto com o olhar morto
Sigo meu instinto torto
Por um segundo, deitado no meu sofá felpudo.
Cinzas breves, boca, cigarro,
Viajo na fumaça, no pigarro,
Vago entre o imenso e o nada
Entre o acostamento e a estada.
Farto do governo, da falta de dinheiro,
De não ter a vida que sempre quis
E estou vivo nessa inércia o dia inteiro
Enquanto o desemprego me incomoda e assola o país.
Enquanto fumo o tempo passa
E me sobra o despeito, a fumaça,
E a constatação da massa
Que vive nessa maldita desgraça.
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Escrito por Larissa Marques às 12h58
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